1 de dezembro de 2006

 

Prós e Contras (II)

O meu apontamento sobre o Prós e Contras suscitou um número inusitado de muito bons comentários, mas fico com a ideia de que não consegui transmitir duas ideias principais sobre a minha intenção. Em primeiro lugar, quis dar uma opinião pessoal de quem se põe no lugar do espectador leigo, como nos acontece nos debates eleitorais, em que surge sempre a pergunta "quem ganhou?". Isto pouco tem a ver, muitas vezes, com o que efectivamente se diz e que deve ser criticado ponto a ponto. Em segundo lugar, preocupou-me, talvez um pouco subjectivamente, fazer a ligação do debate ao que eu próprio tinha escrito nesse dia, "o MCTES governa por omissão".

Isto não significa que uma prestação fraca (e isto, como se vê pelos comentários, tem bastante de pessoal e impresionista) não tenha contido aspectos com que concordo. Começo por dar o exemplo aparentemente contraditório, da minha reacção às quase diluídas intervenções de Moniz Pereira. Escrevi antes que lamentava vê-lo ali e expliquei porquê. No entanto, isto não obsta a que eu concorde com o que ele disse, também o tenho dito: as universidades não são pró-activas, vivem à defesa, numa uniformidade confortável, não competem, não têm, em geral, pensamento estratégico. Também é verdade que são muitas vezes mal geridas, mas dizer isto é perigoso num momento em que nem se coloca o problema da gestão, face ao facto de muitas não terem, em 2007, um orçamento que chegue para pagar os salários.

O mesmo em relação ao ministro. Critiquei a prestação geral, estou em desacordo com muito do que disse e que considero pouco rigoroso, como, por exemplo, a justificação de tão pesados cortes com o esforço gral de contenção orçamental, mesmo pondo em risco a cobertura das despesas fixas de pessoal, a tese de que as universidades podem recorrer às verbas da ciência, a afirmação de que a relutância em relação às opiniões internacionais é um sinal de subdesenvolvimento, muito mais. Desmontar isto seria repetir muito do que tenho escrito recentemente. No entanto, estive completamente de acordo quando fez uma caracterização impiedosa do nosso sistema e das suas instituições. Não estar de acordo seria contrdizer muito do que tenho escrito. Simplesmente, um ministro fica limitado em relação às melhores opiniões pessoais, porque, então, tem de responder a uma pergunta básica: "o que fez, como ministro, para mudar isso?"

No apontamento anterior, não me referi a um aspecto importante. Muito pouco se falou da natureza e da reorganização do sistema de educação superior. Do politécnico, quase nada se disse. Estou de acordo, em princípio, com o ministro quando disse que a sua integração na universidade não é boa solução. No entanto, já não tenho ideia (falha minha de memória), se isto era uma afirmação em geral ou se também significava a recusa de qualquer integração pontual, que não rejeito.

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